domingo, 24 de abril de 2016


Nota de abertura: Este não é um texto bonito; e foi escrito com uma mão só numa sala de espera.

Eu gosto dos teus olhos 
pequenos de quando você sorri      
Eu gosto do som que tem a tua voz
Gosto até do teu sotaque cantado
Do teu sorriso marcado
Eu gosto de me sentir menor no teu abraço
Eu gosto da expressão que você faz um segundo antes de cair na risada  
Eu gosto de como parecemos um paraíso num mundo terrível desabando
Eu gosto de como você me faz recitar poesias no chuveiro
Eu gosto de sentar diante do piano 
E sempre ter uma música pronta depois que te conheci.
Eu gosto do teu cheiro 
Eu gosto dos teus beijos
Eu gosto do jeito sutil e apaixonado como suas mãos passeiam sobre  mim.   Eu gosto de quem você é quando estamos sozinhos. 
E eu sei que somos um segredo. 
Que somos um segredo só nosso.     

Eu odeio esses olhos pequenos de quando você sorri
Odeio o som da sua voz e esse sotaque cantado que eu não consigo mais esquecer      
Odeio teu sorriso marcado
Eu odeio saber que eu te amo independente do meu desejo constante de fugir.
Por você eu gostaria de suspender todas as leis que dizem que tudo tem fim. Eu enfrentaria um inverno polar mesmo sendo uma fraca pro frio, só pra me encontrar com Norman Maclean e dizer que ele certamente se enganou ao dizer que nada é para sempre.
Odeio saber que apesar de todas as minhas marés eu ainda quero você, em todos os minutos de vida aos quais eu vou ter direito.

Mila

quinta-feira, 17 de março de 2016

Its not about the time

Essa manhã eu me olhei no espelho e além dos olhos cheios de um tipo de cola super bonder de quem dormiu mal e não descansou o suficiente, eu tive o desprazer de ver meu reflexo cansado com pena de mim, não por não ter dado atenção ao despertador, mas porque já sinto o salto agulha sambando no meu coração.
A vontade é de explodir metade do coração pra torná-lo mais fácil de enfrentar ou ficar trocando de canal na TV pra sempre. É que me faz falta sorrir com gosto, quando ele brinca de me encarar sorrindo –como só ele sabe sorrir– à meia-luz. É que eu acordei assim hoje: triste e nostálgica. Mas na segunda passada eu sorria até para as folhas ao caírem, e eu só queria que isso durasse, o tempo todo, e meu espelho disse que não durou.
Eu passo bem, achando que 'bem' é ter um gatilho na garganta e um vulcão dentro do peito.  
Cá estou, pensando que todos os meus livros de poemas falam sobre ele. E todos os ambientes tem um pouco dos tons rosados da sua pele marfim. E os passeios de ônibus demorados são mais uma desculpa pra encontrá-lo. As pessoas que eu ouço, os lugares mais sujos, tudo tem um pouco da nossa solidão. Ele faz a garganta apertar e o desconforto ser físico. Ele está em todas as direções, em todas as dimensões. Nenhum espaço de tempo conhecido é suficiente. A física quântica é capaz de explicar o que acontece com os meus átomos ao se unirem com os seus? Me sinto como um fragmento de energia, pateticamente preso a sua matéria. Sinto que somos um teorema do caos, tão adorável quanto fatal.
Eu menti pra ele. Disse que ficaria tudo bem, e que se eu desviasse minha atenção pro outro lado, ele seria uma parte menor do mundo que eu guardo no peito.E ele acreditou, que não seria  mais o motivo dos meus olhares desajuizados. Mas está sendo ele o meu centro gravitacional, e ainda não existe bússola que me aponte outra direção. É tudo sobre o nosso campo magnético, fazendo com que todas as minhas direções sejam o vulcão que ele também tem dentro do peito, ou que -tão de repente- seja ele a gravidade que me prende ao chão. Eu confesso que não tenho nem foto do lado doce dos seus olhares,  quando sou eu a figura que os reflete, que às vezes me deixa pretensiosa ser o motivo dos seus sorrisos. E que quando ele segura minhas mãos daquele jeito tão firme, some até minha tristeza da semana retrasada.
Esse texto é sobre a minha vontade de te ver feliz por aí e te aprisionar a mim ao mesmo tempo. Sobre ter orgulho de ser a mão que te encontra. Sobre não estar me sentindo pela metade, ainda que o amanhã seja um sopro e a saudade esteja desenhando no meu rosto essas lágrimas, de vontade de te ter no meu abraço. 
As vezes acho que meus sinais de nascença se ligam com as cicatrizes que tenho e formam o nome dele na minha pele, como quem quer bordar um registro de quem desabotoa meus sentimentos e me deixa doce e desajuizada. Eu me apaixonei pelo castanho-claro dos seus olhos e pelo seu jeito de nunca me declamar poemas, mas desata-los dentro de mim. 
E toda vez que eu o vejo, meu cérebro me avisa de um encontro que às vezes minha falta de atenção ou meus cabelos mal penteados atrapalham, e parece que eu quero assustá-lo com meu jeito desajeitado, mas na verdade eu quero exagerar o tamanho da Lua e dizer que o que eu sinto por ele é do tamanho dela. Talvez essa vontade nasça porque nunca me conformo com essas idas constantes de quem me cativa, porque nunca me conformo com a impossibilidade de dar sempre que eu quiser um abraço demorado.  Ele nem imagina, que a saudade me visita hoje e vai me revisitar amanhã, e que é sempre assim nos dias em que está longe.

Eu nunca fugi, nunca sai, não me mudei, não fui nem até a esquina, sou tão nós-dois como sempre. E eu digo no teu ouvido, se precisar, que te querer pode ser um erro mas que é a coisa mais deliciosa que meu coração já sentiu.
Que meu olhar virou verdade, que eu ouviria o som do seu coração bater por 200h seguidas, e que as flores não querem murchar desde que você disse que estava comigo. E você vai perceber, quando me ver sorrindo mais do que meu rosto aguenta. Quero te fazer mais feliz do que nunca e te ver morrendo de tanto rir, quero te consolar se estiver triste, e dizer que não precisa ter vergonha das olheiras por chorar muito, quero que me abrace, me morda, me esmurre, me belisque, me lamba, me empurre, me beije, me renda, me costure e me emende a você.
Porque nenhum espaço de tempo é suficiente,



Mila






sábado, 11 de abril de 2015


Eu te disse que era tudo sobre um vazio, e esse teu vazio foi maior do que a minha certeza. E o barulho das tuas palavras, com esse tom despretensioso que você quer que elas tenham, mas não tem. E esse seu sorriso que a insegurança deixa exagerado. É que meu coração no teu não cabe, e isso que acontece quando eu te olho, é mais confuso do que deveria ser. Você tem esses olhos aí, que me dão avisos urgentes do quão somos inadequados. Não porque somos ruins, não porque falta vontade, isso a gente tem de sobra.
Mas é que seu rosto tem me dado só aflição e isso é algo que você não entende, ainda que eu esteja vez ou outra tentando explicar. Você me deixa aflita, com essa impressão que me dá, de que é tudo tão aumentado em mim. E olha só você, fazendo mesmo tudo parecer pequeno, inválido.
Eu tenho um mundo pra falar, e eu sinto que você ouve, mas não escuta. E eu te mostro coisas, eu te mostro letras, te toco músicas, te escrevo longos textos, te dou pistas do meu socorro silencioso.
Que eu quero berrar tão alto que até o horizonte vai me ouvir. E você sempre olha, mas não enxerga.
E eu sei que você não enxerga, porque nos seus olhos tem rios de verdade, e nenhuma empatia. Esse texto é sobre minha vontade enorme de te puxar pelo peito, e te fazer entender o que não pode ser explicado nem mesmo com longos textos. Sobre o buraco que eu tenho no peito, enquanto no seu nem parece haver abalos estruturais. E eu fico tão pequena, e com você eu tenho me sentido tão descabida. Há um tempo considerável atrás de nós, eu decidi existir para preencher outros vazios, sim. porque eu percebi que seria muita ganância achar que dá pra fazer do meu buraco qualidade. Mas olha só pra mim, e olha pra você, onde está o verso do nosso soneto em que meus vazios preenchem os seus de uma forma devastadora? E eu me sinto tão culpada por te envolver com todas essas lacunas que nenhum de nós dois pode preencher, e me sinto tão culpada por ter feito de nós esse acidente com mortos e feridos, por ter usado tanto do seu tempo e espaço só pra perceber que não era aí o meu lugar, que você não precisa de alguém como eu. Que precisa de alguém, mas não de mim. Que nos somos como dois imãs perpendiculares que não se cruzam, porque eu sinto que eu gosto tanto, tanto de você. Mas que nunca vamos ser uma união. e hoje, hoje eu percebi, que não era pra ser eu aqui. Que seu coração deve ser lindo, mas eu não posso ver. Que você deve ser muito mais do que essa incompatibilidade me permite enxergar. Perto de você a minha solidão é diferente, não como a ausência de companhia, mas como estar inundado por um por do sol, e incapaz de enxergar seus degradês. Eu nunca achei que eu e você fossemos desperdício, mas que outro nome têm minhas letras jogadas no fundo da sua gaveta?



Camila

terça-feira, 6 de maio de 2014

Nada.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Eu queria ser teu ódio, contado por outra pessoa, porque ser teu amor tá me cansando. E essas histórias absurdas, contadas há um tempo infinito atrás da gente. E se eu quiser ser a tua dor, que vem, afeta e vai embora? Porque ser teu amor arranca o ar que eu puxo pra tentar ser mais compreensiva, me arranca os suspiros que eu eu solto quando penso que não quero ser muito mais do que isso. Suspiros.
Então meu corpo, que ainda é 70% água, volta a tentar se afogar em si mesmo. O ruim é que cê é um rio inteiro, e eu sou aquela borboleta murcha que nem sabe nadar. Mas que nossa, de tão bonito que é o tal rio, se joga, só pela última vez.




Camila B.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vinte e dois outonos.




Olhos fechados.


E o desejo de que todas essas sombras sejam reflexo de algo que não existe.
 O coração que não pulsa, mas palpita, entende que pulsar seria arriscado demais agora. 
Com os olhos molhados, tristes como viver uma vida de mentira, metade das coisas incríveis que a vida reserva, se apaga.
E o espelho de repente só mostra o que você gostaria de esconder. São vinte e um outonos, e as folhas às vezes param de cair. Sorte é aceitar essa vaga idéia de completude sem estar completo.

Camila Braga

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nada.

As nuvens estão sumindo
E um pouco do ar abafado que me esquentava se perdeu
Dizem que 70% do corpo é água
Será que dá pra se afogar em si mesmo?

A saudade e seu saldo sem vencimento
Cuja conta quem paga são os olhos
E o medo de se descobrir desnecessário
Alimenta os soluços secos
O apertar da garganta amarga

As mãos que não conseguem se articular
Procuram as coisas que não podem ser tocadas
E a garganta, que não mais entoa
Pronuncia um ultimo suspiro vago
E se fecha.




domingo, 13 de outubro de 2013

210.



Eu vejo suas fases acontecendo, e acho até bonitinho. 
E não é que seu sorriso não me cause arrepios, é que eu não gosto de arrepios o tempo todo.
E não é que eu queira esquecer, porque as olheiras me lembram todos os dias que você ainda tira minhas horinhas de sono.
E eu não vou mentir, que todos os dias eu conheço pessoas novas por aí, pra ter certeza de que o coração só se aperta com você.
Eu só queria deitar no meu colchão todo marcado antes de dormir, e não sentir um pouquinho dessa sua falta todos os dias.
Eu só queria gostar mais de ver minha sombra nos lugares, gostar mais de mim pra esquecer um pouco de você.
Gostar mais de mim sem todo esse sentimentalismo, sem todo esse excesso de tudo.
Porque uma vez você me disse que tudo em excesso faz mal.
E eu não esqueci.






terça-feira, 24 de setembro de 2013

Me deixa ser a chuva que ensopa o seu capuz.
Me deixa usar o pé pra equilibrar toda essa dor-de-cabeça
Me deixa ser o seu cabide de casaco, só não me tira de vez.
Me deixa ser o pelinho branco que incomoda na sua calça escura.
Me deixa, mas não me deixa. Porque apesar, pesa.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Hoje acordei meio surtada.

Meio que me deu uma vontade louca de atravessar uma avenida sem olhar.
Deixando os problemas colidirem bem atrás, como se ao redor fosse sabão e eu morasse numa bolha, dessas que fazem os olhos das crianças se fixar.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um passo mais perto.

Querido tempo,

Eu queria demais que você parasse de vez.
Que fugisse sem que eu te sentisse, como as moedinhas do troco da passagem.
Gostaria mesmo, é que a nascente de algumas lágrimas finalmente secasse.
Mas não dá.
Queria que o resto dos sorrisos que você levasse, ficassem e enfeitassem minha estante.
Que a dor e a morte fossem a ficção que nos faz sair do cinema achando tudo um absurdo
O que pode fazer por mim, quando minhas esperanças são finitas?

Querido tempo, eu espero.
Que me mostre o que eu decerto, não estou vendo.

Um passo mais perto.


Camila Braga

domingo, 15 de setembro de 2013

For sun two

Ás vezes a gente precisa de tão pouco, quase nada.
Ás vezes a gente não deseja um mundo inteiro, ou o maior amor do universo, ou uma paixão que nos arranque pedaços, ou da pessoa mais perfeita do mundo.
Ás vezes a gente só precisa de algo que nós compreenda, que consiga, sem esforço algum,nos definir.
As melhores coisas do mundo são as mais malucas, as mais estranhas.As melhores coisas do mundo tem um preço muito alto.As melhores pessoas do mundo nos deixam felizes só por estarmos com elas, nos fazem rir por horas de um jeito quase infantil. As melhores pessoas do mundo não são as ideais, não são as mais fáceis de lidar.São aquelas das quais precisamos que sejam, exatamente como são.
São aquelas que não precisam consertar suas partes defeituosas.São aquelas que quando vão embora, arrancam-nos mais do que deixam.São aquelas que são boas por dentro, aquelas que nem mesmo todo o tempo do mundo mudaria.
São essas, com quem as palavras 'para sempre' podem se atrever a serem usadas. São aquelas que nos deixam músicas, fotos, risadas, loucuras, lembranças, conversas,segredos, alianças encontradas na areia,manchas na pele.
 Muitas pessoas passam, mas cada uma representa alguma coisa na imensidão dos nossos pensamentos.Muitas pessoas podem nos oferecer os sentimentos de que precisamos, mesmo que sejam ruins ou tolos.
Mas e quando chega o momento no texto, em que o plural não pode ser mais usado? E quando só existe uma? Como eu deveria falar?
   É você que me oferece o chão que eu perdi e nunca encontrei de volta.É você que me oferece a esperança que eu destruí dentro de mim e nunca resconstruí.É você que representa o que acontecia antes do passado. A parte do meu passado que veio antes das tristezas, das mágoas, das lágrimas derramadas por um amor que eu esperei, e nunca veio.
 É você que representa o tempo de 7 cores em RGB. É você que tira de mim todos os meus tons de cinza, que faz a tristeza ser algo que não cabe. Que faz a desistência parecer insanidade.
É você que faz com que os meus sonhos mais distantes pareçam alcançáveis. Que dissolve minhas cicatrizes e retoca minhas imperfeições.
Algumas pessoas nos fazem sentir realmente mais próximas do sol, mas tal como o sol, só existe uma que possa nos aquecer.



A você.


Camila Braga

domingo, 16 de junho de 2013

Nunca entendi

 ...como me sentia tanto.
Cabia nos meus incompreensíveis acessos de exagero como um fragmento longínquo que não fora jogado longe com o a força do impacto, mas eu ainda pudesse alcançar.
Achava hilário quando eu perdia a cabeça, e era grossa sem motivo nenhum, e ás vezes, juro que parecia entender um pouco do caos que conduzia meu coração.  Mais incrível do que qualquer uma de suas habilidades, ele sabia ser incondicional, e eu nunca havia me deparado com algo do tipo.
Demorou pra entender como funcionava, e no começo, pareciam palavras sorteadas e superficiais.
Sempre estava ali, no outro lado do país, onde eu não podia, mas me sentia perto. Estava mais próximo do que alguns vizinhos, amigos, colegas, conhecidos de shows, namorados e ex's.
Encarava mais os meus problemas do que aqueles de quem eu realmente esperava alguma coisa, me trazia mais sorrisos do que aqueles a quem eu fazia rir.  
Superava mais expectativas do que aqueles sobre quem eu mantinha as minhas.
Não era uma pessoa tão fácil assim, exigia atenção, e mais aconchego do que eu estava disposta a dar. E eu não entendia exatamente, o que dele transbordava. Então percebi, que era o faltava dentro de mim.
Ás vezes ele me assustava, porque era zeloso demais, e eu não entendia.
Por vezes me dera calor demais, tão mais do que eu cuidadosamente esperava, mais do que meu otimismo se esforçava em aguardar.
Quem diria, e quem dirá, que me mostrou o valor das coisas realmente importantes, e sutilmente me fez esquecer do que me era essencial aos olhos.
Ele não era só mais um, porque nenhum deles tinha sido... era obviamente especial em sua singularidade. E continha uma firmeza que a mim não existia, uma doçura que não dava em si, que nem os olhos castanhos médio, tão quentes e certos, afirmariam. Guardava uma fieldade que nem a beleza de seu sorriso angelical e infantil denunciava. Trazia uma completude que nem o descontraído cabelo despenteado- que ele tanto se preocupava em melhorar- exibia.
Era especial, sempre fora, mas eu não entendia. E me faria entender.
Mais vezes do que se pode contar.
Porque ele incrivelmente, valia toda a incerteza da perda.
Curava minhas incertezas, abstraia todos os meus medos. Sentia com os quentes olhos, que pareciam derreter ás vezes. Enterrava todas as minhas decepções, e me ajudava a sair do túnel que ás vezes eu mesma cavava. E era assim, que eu gostava dele, e precisava, lentamente, de mais.
E sua voz passou de extra, pra essencial, e suas fotos passaram de futilidade a necessidade. Eu estava acostumando, e não queria conter isso. Então acabou assim, como está.

Algumas pessoas somam infinitamente mais do que subtraem, e a gente precisa valorizar, e mudar o que precisa ser mudado por elas, e aceitar as coisas delas que nos irritam, e rir das bobagens sem graça que elas falam. Nunca se dá valor, até perder.



Camila.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


   
     Cá estou, na imensidão de incabíveis palavras.Tentando inutilmente definir aquilo que claramente não possui definição. Aqui estou, doce pessoa, procurando razões justificáveis o suficiente para não repousar ao lado teu.
    E nas confusas palavras que me encontram, procuro sem sucesso, abrigo para um jorro desproporcional de sentimentos tão irrevogáveis. 
  Cá estou, doce mundo. Impiedosamente tentando não encontrar-me com teu sorriso, que mais se assemelha aos quentes raios do sol do que a uma torpe expressão facial.
   Aqui estou, diante da varanda ao amanhecer, esperando que aonde quer que você esteja, o mesmo sol encontre o brilho amendoado dos seus olhos. Procurando entre reconfortantes lembranças, a luz que surge no seu rosto quando você sorri. Buscando esperançosamente imaginar o tom de sua voz sutilmente cuidadosa, quando me chama de menina.
E se por um desumano malefício cada uma de tais memórias sumisse em minha mente, eu precisaria aprender a reescrevê-las novamente de olhos fechados.
E se por um infortúnio cada uma de suas lindas palavras, fosse anulada por ti mesmo, eu, impreterivelmente  as encontraria novamente na parte escura do meu coração que ainda pulsa, vacilante.
Então, ao momento que dispensáveis fossem os próprios sorrisos,
 
já não haveria mais razão para sentir nada.
 
 
 
 
Camila B.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Luta.
Desistência
Mas derrota.
 
Substâncias
Comprimidos
Drogas.
 
A tornar a transgressão mais apropriada
E enfeitar a infeliz escolha errada.
Problemas, lamúrias, lamentações.
Choros, chuvas, arranhões.
Ofensas,defesas, ameaça.
O passado que leva pra trás.
Passa.

 
Sim.
Doce.
Mas controlado.
O tipo de coisa que semea crueldade,discórdia.
Colorindo a infinidade dos problemas mais obscuros.
O tipo de coisa que nem as palavras mais pessimistas são capazes de definir.
Ês
Um
Único
Protagonista.
O problemático,
Poço de irracionalidade.

domingo, 30 de setembro de 2012

For sun.

A intensidade é relativa.
Ela existe, mas não se anuncia.
Ela apenas vem e destrói.
Ocupando todos os vazios que pediam por ela silenciosamente.

       Como um mar agitado, onde você mergulha e nunca consegue voltar.Mas você tenta, e definha lentamente.
    Você diz que eu sou boa com palavras, mas é você quem melhor me define. Diz que eu ainda acredito um pouco no amor, e eu te digo que não posso desistir.
   Algumas coisas que você me contou deixaram marcas, algumas deixaram sombras.Algumas ainda estão comigo,guardadas no lugar aonde eu vou quando quero me sentir bem. Algumas pessoas são uma parte nossa, isolada do nosso próprio corpo.
Partes que nós não somos, mas gostaríamos de ser. Estar contigo é ser menos consequente, controlada,racional.
   É esquecer um pouco de ser morna, equilibrada, recomendável. É fugir de todas as coisas ruins que eu já vivi, esquecer que foram porque senti demais, e pouco pensei.
  É lembrar de que um dia eu já fui vibrante, irresponsável e desmedida. É lembrar que mesmo com tudo isso eu estava feliz... e tentava de novo.
   Uma parte de mim tem medo, porque sabe que nada é pra sempre. E é essa mesma parte que teme que um dia eu possa te perder entre as lembranças que já existem.Medo de que as intensidades diminuam e acabem num quadro de lembranças. Porque acaba. Sempre acaba.
  Um medo que já se instalou, e fez de tudo parecer consequência.
   Nos últimos três meses eu decidi  me manter neutra sobre tudo que me rodeia, abrigando em mim mesma as coisas que aos outros poderia fazer muito bem, ou muito mal.
  Foram noventa dias que passaram lentamente,com a insconsciência de quem está desacordado.Dopado.
    Com sensações anestesiadas que criaram novas peles por cima. Com cada dia passando sob os meus olhos como uma película fina enquanto eu observava, sem reação.
Não é como pessimismo, nem como desistência.
É como deixar que as coisas venham, mas vão. É como parar de tentar possuir pessoas, como não tentar mais trancar seus corações e levar a chave.
É como aceitar que as coisas só são especiais, porque um dia irão embora. Como entender que o que torna algumas pessoas tão inesquecíveis, não é somente as coisas incríveis que elas nos despertam...mas a certeza de que a vida passa, e vai levá-las de nós também.
Nos últimos anos eu aprendi que as coisas são mais bonitas livres. Livres para ir embora, livres para ficar, livres para dar adeus.
  O passado é como uma mão cheia de areia, que desaparece ao primeiro encostar do vento.Nunca te dá uma segunda chance. Apenas lhe tira o suficiente.Apenas lhe mostra com quão pouco você pode sobreviver.


Camila B.
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Nada.

 Ês um segundo capítulo, onde as perdas se esvaem por outra porta.Onde os cheiros se misturam com os gostos, e o perfume se dilui nas quentes lágrimas. Onde os sonhos inacabados, se desfazem em lamentos contínuos.Onde o arrependimento não mata, mas machuca.
   Ês um capítulo, onde os amores se dissiparam na distância, onde paixões se desfizeram em circunstâncias.
   Onde lembranças que poderiam ser mornas queimaram, com o ardor forte que rachou o peito.Onde insistente o coração bate.Sem muita vontade, oscilando.
  E da consciência se abrem caminhos, que nem precisam ser sensatos ou ideais.E de grandes perdas, grandes aprendizados.E de grande fraquezas, grandes resistências.
 E o tempo passa, se dispersa.Ainda que fique a angústia de perder aquilo que nunca foi seu.
 E você deixa para trás, coisas que desejou que do seu lado, apagassem lentamente.
 E o tempo passa, fazendo de seus pequenos pedaços, fragmentos.
 E de seus aprendizados, silêncio.
 É quando você por vez entende, que palavras nada significam... que passam como uma brisa de outono, com cheiro de relva molhada. Mas passa, e passa.
 E das lembranças não fica nada.







Nada.




Camila B.

sábado, 7 de julho de 2012

Sem saber como ficar.

     Há quem diga que as coisas mais importantes do mundo custam muito até chegar, e que demora até se tornarem de uma forma inexplicável, significativas.
     E que quando vão embora deixam machucados que nunca descamam.
     Há quem diga que o significado se contém nas palavras trocadas e nos olhares, que nunca se vão completamente.Que se esconde nas entre-linhas de novos sorrisos, e nem sequer precisam de um motivo especial.
    E de dias fazem-se noites.E de minutos que te levam horas, a inquietação afunda cada centímetro no peito.Tentando entender do que se trata a dor que perturba, que de alguma forma pressiona o coração contra a parede.A dor que processa sua paz, e faz dela tirinhas finas.A dor que inquieta,tensiona e sufoca.
  Uma vez eu ouvi dizer que era tristonha demais, e tornava coisas simples muito mais trágicas do que realmente eram.Que fazia coisas ruins parecem fatais, ou algo do tipo.E provavelmente é dessa fatalidade que estamos falando, e talvez seja ela o fator sufocante.
  Ás vezes você deixa a razão escapar, e os sentimentos escorrem-lhe pelos olhos.Ás vezes você deixa que o passado ocupe o espaço do presente, e o presente escapa por entre seus dedos.Como areia de praia seca, e fina. Ás vezes a gente ouve que não tem coração, simplesmente porque escolhe guardá-lo seguramente dentro de uma urna.Cuja chave não possui cópia.  Comparações são facilmente feitas quando buscamos uma explicação que faça algum sentido, como uma matemática exata de sentimentos, que são traçados no gráfico de uma parábola.Como uma resposta exata para uma pergunta relativa.
  A gente ganha , mas nunca se prepara para perder. A gente ama, mas nunca se planeja para deixar ir. A gente sonha, mas nunca planeja acordar. A gente acha que pode possuir pessoas e seus corações, a gente acha que controla suas mentes e desejos.
Mas não.
  Ás vezes o coração é a parte insensata que te carrega para buracos sem saída ou luz.Ás vezes é a parte suicida que te faz desistir de tudo por alguém.Mas é possível mudar um coração, sem sentir a vida escapar pelas mãos?
  Algumas pessoas entram no nosso mundo, para vir e ir. Algumas entram para marcar, deixar, levar. O que parece improvável também acontece. Estranho é perder uma incógnita, angustiante é não saber o que perdeu.


Triste é ser obrigado a deixar alguém ir, sem saber como ficar.





Camila B.


sábado, 9 de junho de 2012

Uma taça de vinho.

       Você faz dos seus dias, apenas frutos de uma espera, de uma esperança que nunca acaba.De um desejo tão forte que toma conta de tudo o que você respira. Que traz consigo doses de nostalgia e lembranças tão doces...que vem para te mostrar o quão feliz você pode chegar a ser.E o quão de repente pode deixar de ser. As melhores coisas, a vida lhe dá...para depois poder roubar.Os sentimentos mais fortes desse mundo, só se sente uma vez.E ao passar de mil anos, quando todas as folhas caem, e os frutos da árvore apodrecem...seus olhos ainda param no ar, procurando algo que nunca,nunca vai vir.
      Os mais fortes amores da sua vida, você vai viver com indiferença.E vai deixar que eles se vão, até perceber que era só daquilo que precisava.Que era aquilo, tudo o que você passaria a vida procurando. As mais valiosas pessoas passam por nossa vida discretamente, sem avisar, sem gritos ou tentativas de chamar atenção.E mesmo assim, conseguem deixar cicatrizes que só aparecem com o morrer dos dias, o nascer das noites.
    Como uma queimadura que a cada pôr do sol lateja mais forte, como um corte profundo, que a cada crepúsculo paira mais na superfície.Como lágrimas num rosto que vive molhado, e não tem a mínima vontade de ser enxugado.
   Quando você se acostuma a não estar contente, à uma indiferença permanente, nada mais pode lhe assustar. Porque até a morte torna-se uma consequência boba.Um descanso para uma mente que nunca para.Uma folga para um coração que sofre todos os dias, por não conseguir mais sentir tão forte.
   E seu único medo passa a ser o de esquecer.
Esquecer das coisas que já foram boas, e que extraíram-lhe a parte mais pura do que você era capaz de oferecer.
   E seu coração passa a ser aquela rocha que por nada se desfaz, por nada sente, por nada vive, por nada permite.   Uma dor que nunca acaba.
    A solidão é tocável, de tão densa.E fragmentada, de tão intensa.É lamentável quando se está forte, mas desejável quando se está frágil. Significa depender somente de si. É quando você começa a achar que sozinha as quedas são menores, quando começa a perceber que sozinha a vida é mais simples.E que embora você não marque a vida de ninguém, você pode mesmo assim, ir sobrevivendo.