A intensidade é relativa.
Ela existe, mas não se anuncia.
Ela apenas vem e destrói.
Ocupando todos os vazios que pediam por ela silenciosamente.
Como um mar agitado, onde você mergulha e nunca consegue voltar.Mas você tenta, e definha lentamente.
Você diz que eu sou boa com palavras, mas é você quem melhor me define. Diz que eu ainda acredito um pouco no amor, e eu te digo que não posso desistir.
Algumas coisas que você me contou deixaram marcas, algumas deixaram sombras.Algumas ainda estão comigo,guardadas no lugar aonde eu vou quando quero me sentir bem. Algumas pessoas são uma parte nossa, isolada do nosso próprio corpo.
Partes que nós não somos, mas gostaríamos de ser. Estar contigo é ser menos consequente, controlada,racional.
É esquecer um pouco de ser morna, equilibrada, recomendável. É fugir de todas as coisas ruins que eu já vivi, esquecer que foram porque senti demais, e pouco pensei.
É lembrar de que um dia eu já fui vibrante, irresponsável e desmedida. É lembrar que mesmo com tudo isso eu estava feliz... e tentava de novo.
Uma parte de mim tem medo, porque sabe que nada é pra sempre. E é essa mesma parte que teme que um dia eu possa te perder entre as lembranças que já existem.Medo de que as intensidades diminuam e acabem num quadro de lembranças. Porque acaba. Sempre acaba.
Um medo que já se instalou, e fez de tudo parecer consequência.
Nos últimos três meses eu decidi me manter neutra sobre tudo que me rodeia, abrigando em mim mesma as coisas que aos outros poderia fazer muito bem, ou muito mal.
Foram noventa dias que passaram lentamente,com a insconsciência de quem está desacordado.Dopado.
Com sensações anestesiadas que criaram novas peles por cima. Com cada dia passando sob os meus olhos como uma película fina enquanto eu observava, sem reação.
Não é como pessimismo, nem como desistência.
É como deixar que as coisas venham, mas vão. É como parar de tentar possuir pessoas, como não tentar mais trancar seus corações e levar a chave.
É como aceitar que as coisas só são especiais, porque um dia irão embora. Como entender que o que torna algumas pessoas tão inesquecíveis, não é somente as coisas incríveis que elas nos despertam...mas a certeza de que a vida passa, e vai levá-las de nós também.
Nos últimos anos eu aprendi que as coisas são mais bonitas livres. Livres para ir embora, livres para ficar, livres para dar adeus.
O passado é como uma mão cheia de areia, que desaparece ao primeiro encostar do vento.Nunca te dá uma segunda chance. Apenas lhe tira o suficiente.Apenas lhe mostra com quão pouco você pode sobreviver.
Camila B.
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