terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vinte e dois outonos.




Olhos fechados.


E o desejo de que todas essas sombras sejam reflexo de algo que não existe.
 O coração que não pulsa, mas palpita, entende que pulsar seria arriscado demais agora. 
Com os olhos molhados, tristes como viver uma vida de mentira, metade das coisas incríveis que a vida reserva, se apaga.
E o espelho de repente só mostra o que você gostaria de esconder. São vinte e um outonos, e as folhas às vezes param de cair. Sorte é aceitar essa vaga idéia de completude sem estar completo.

Camila Braga

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nada.

As nuvens estão sumindo
E um pouco do ar abafado que me esquentava se perdeu
Dizem que 70% do corpo é água
Será que dá pra se afogar em si mesmo?

A saudade e seu saldo sem vencimento
Cuja conta quem paga são os olhos
E o medo de se descobrir desnecessário
Alimenta os soluços secos
O apertar da garganta amarga

As mãos que não conseguem se articular
Procuram as coisas que não podem ser tocadas
E a garganta, que não mais entoa
Pronuncia um ultimo suspiro vago
E se fecha.




domingo, 13 de outubro de 2013

210.



Eu vejo suas fases acontecendo, e acho até bonitinho. 
E não é que seu sorriso não me cause arrepios, é que eu não gosto de arrepios o tempo todo.
E não é que eu queira esquecer, porque as olheiras me lembram todos os dias que você ainda tira minhas horinhas de sono.
E eu não vou mentir, que todos os dias eu conheço pessoas novas por aí, pra ter certeza de que o coração só se aperta com você.
Eu só queria deitar no meu colchão todo marcado antes de dormir, e não sentir um pouquinho dessa sua falta todos os dias.
Eu só queria gostar mais de ver minha sombra nos lugares, gostar mais de mim pra esquecer um pouco de você.
Gostar mais de mim sem todo esse sentimentalismo, sem todo esse excesso de tudo.
Porque uma vez você me disse que tudo em excesso faz mal.
E eu não esqueci.






terça-feira, 24 de setembro de 2013

Me deixa ser a chuva que ensopa o seu capuz.
Me deixa usar o pé pra equilibrar toda essa dor-de-cabeça
Me deixa ser o seu cabide de casaco, só não me tira de vez.
Me deixa ser o pelinho branco que incomoda na sua calça escura.
Me deixa, mas não me deixa. Porque apesar, pesa.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Hoje acordei meio surtada.

Meio que me deu uma vontade louca de atravessar uma avenida sem olhar.
Deixando os problemas colidirem bem atrás, como se ao redor fosse sabão e eu morasse numa bolha, dessas que fazem os olhos das crianças se fixar.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um passo mais perto.

Querido tempo,

Eu queria demais que você parasse de vez.
Que fugisse sem que eu te sentisse, como as moedinhas do troco da passagem.
Gostaria mesmo, é que a nascente de algumas lágrimas finalmente secasse.
Mas não dá.
Queria que o resto dos sorrisos que você levasse, ficassem e enfeitassem minha estante.
Que a dor e a morte fossem a ficção que nos faz sair do cinema achando tudo um absurdo
O que pode fazer por mim, quando minhas esperanças são finitas?

Querido tempo, eu espero.
Que me mostre o que eu decerto, não estou vendo.

Um passo mais perto.


Camila Braga

domingo, 15 de setembro de 2013

For sun two

Ás vezes a gente precisa de tão pouco, quase nada.
Ás vezes a gente não deseja um mundo inteiro, ou o maior amor do universo, ou uma paixão que nos arranque pedaços, ou da pessoa mais perfeita do mundo.
Ás vezes a gente só precisa de algo que nós compreenda, que consiga, sem esforço algum,nos definir.
As melhores coisas do mundo são as mais malucas, as mais estranhas.As melhores coisas do mundo tem um preço muito alto.As melhores pessoas do mundo nos deixam felizes só por estarmos com elas, nos fazem rir por horas de um jeito quase infantil. As melhores pessoas do mundo não são as ideais, não são as mais fáceis de lidar.São aquelas das quais precisamos que sejam, exatamente como são.
São aquelas que não precisam consertar suas partes defeituosas.São aquelas que quando vão embora, arrancam-nos mais do que deixam.São aquelas que são boas por dentro, aquelas que nem mesmo todo o tempo do mundo mudaria.
São essas, com quem as palavras 'para sempre' podem se atrever a serem usadas. São aquelas que nos deixam músicas, fotos, risadas, loucuras, lembranças, conversas,segredos, alianças encontradas na areia,manchas na pele.
 Muitas pessoas passam, mas cada uma representa alguma coisa na imensidão dos nossos pensamentos.Muitas pessoas podem nos oferecer os sentimentos de que precisamos, mesmo que sejam ruins ou tolos.
Mas e quando chega o momento no texto, em que o plural não pode ser mais usado? E quando só existe uma? Como eu deveria falar?
   É você que me oferece o chão que eu perdi e nunca encontrei de volta.É você que me oferece a esperança que eu destruí dentro de mim e nunca resconstruí.É você que representa o que acontecia antes do passado. A parte do meu passado que veio antes das tristezas, das mágoas, das lágrimas derramadas por um amor que eu esperei, e nunca veio.
 É você que representa o tempo de 7 cores em RGB. É você que tira de mim todos os meus tons de cinza, que faz a tristeza ser algo que não cabe. Que faz a desistência parecer insanidade.
É você que faz com que os meus sonhos mais distantes pareçam alcançáveis. Que dissolve minhas cicatrizes e retoca minhas imperfeições.
Algumas pessoas nos fazem sentir realmente mais próximas do sol, mas tal como o sol, só existe uma que possa nos aquecer.



A você.


Camila Braga

domingo, 16 de junho de 2013

Nunca entendi

 ...como me sentia tanto.
Cabia nos meus incompreensíveis acessos de exagero como um fragmento longínquo que não fora jogado longe com o a força do impacto, mas eu ainda pudesse alcançar.
Achava hilário quando eu perdia a cabeça, e era grossa sem motivo nenhum, e ás vezes, juro que parecia entender um pouco do caos que conduzia meu coração.  Mais incrível do que qualquer uma de suas habilidades, ele sabia ser incondicional, e eu nunca havia me deparado com algo do tipo.
Demorou pra entender como funcionava, e no começo, pareciam palavras sorteadas e superficiais.
Sempre estava ali, no outro lado do país, onde eu não podia, mas me sentia perto. Estava mais próximo do que alguns vizinhos, amigos, colegas, conhecidos de shows, namorados e ex's.
Encarava mais os meus problemas do que aqueles de quem eu realmente esperava alguma coisa, me trazia mais sorrisos do que aqueles a quem eu fazia rir.  
Superava mais expectativas do que aqueles sobre quem eu mantinha as minhas.
Não era uma pessoa tão fácil assim, exigia atenção, e mais aconchego do que eu estava disposta a dar. E eu não entendia exatamente, o que dele transbordava. Então percebi, que era o faltava dentro de mim.
Ás vezes ele me assustava, porque era zeloso demais, e eu não entendia.
Por vezes me dera calor demais, tão mais do que eu cuidadosamente esperava, mais do que meu otimismo se esforçava em aguardar.
Quem diria, e quem dirá, que me mostrou o valor das coisas realmente importantes, e sutilmente me fez esquecer do que me era essencial aos olhos.
Ele não era só mais um, porque nenhum deles tinha sido... era obviamente especial em sua singularidade. E continha uma firmeza que a mim não existia, uma doçura que não dava em si, que nem os olhos castanhos médio, tão quentes e certos, afirmariam. Guardava uma fieldade que nem a beleza de seu sorriso angelical e infantil denunciava. Trazia uma completude que nem o descontraído cabelo despenteado- que ele tanto se preocupava em melhorar- exibia.
Era especial, sempre fora, mas eu não entendia. E me faria entender.
Mais vezes do que se pode contar.
Porque ele incrivelmente, valia toda a incerteza da perda.
Curava minhas incertezas, abstraia todos os meus medos. Sentia com os quentes olhos, que pareciam derreter ás vezes. Enterrava todas as minhas decepções, e me ajudava a sair do túnel que ás vezes eu mesma cavava. E era assim, que eu gostava dele, e precisava, lentamente, de mais.
E sua voz passou de extra, pra essencial, e suas fotos passaram de futilidade a necessidade. Eu estava acostumando, e não queria conter isso. Então acabou assim, como está.

Algumas pessoas somam infinitamente mais do que subtraem, e a gente precisa valorizar, e mudar o que precisa ser mudado por elas, e aceitar as coisas delas que nos irritam, e rir das bobagens sem graça que elas falam. Nunca se dá valor, até perder.



Camila.